Nunca me considerei sortuda, no amor então, acredito que a sorte tenha medo de chegar perto de mim. Em toda minha vida pré-adolescente tive os tais romancinhos bobos.. aquele primeiro menino que você gosta, e que acha que nunca vai te decepcionar e blá blá blá? Pois é, comigo não foi diferente, sempre alienada a contos de fada, que acabara de sair da minha mesa de cabeceira, para a estante. O primeiro tombo, é sempre mais forte, por que você não imagina as consequencias dessa queda, muito menos os sentimentos que ela traz. Formam feridas, muito grandes e a recuperação exige tanto esforço. Requer equilibrio para aguentar tanta dor. Morfina alguma, seria capaz de amenizar tamanha cicatriz. Mas calma, você não recebeu um atestado de seis meses de repouso.. a tal da 'vida' não o aceita como desculpa para deixar de lado algo extremamente mais complexo do que uma doença que te atinge no momento. As responsabilidades que eu tinha, me impulsionaram a depositar forças, em algo que eu não sabia ainda, que eu possuia, amor-próprio! Me fiz forte. Utilizei mascaras, pra disfarçar um rosto apático, o que eu menos queria ouvir ou ver eram expressões de pena. Eu não precisava disso. Deixei a mascara de felicidade instantânea em uma caixa, na parte mais alta do meu guarda-roupa, não queria me lembrar que um dia existiu. Obriguei-me então, a viver.. viver feliz. Tinha sido tão egoísta, ao pensar que não refletia a ninguem meu estado de espirito, e que ninguem se abalaria ao ver meu sofrimento. Mudei. Dei a volta por cima, e voltei a ser, a alegre, chata, stress, compreensiva, brava, a seu eu, de novo. e dessa vez, pra sempre (?). Pois é, não foi.. iludida eu novamente, de achar, que nesse mundo que vivemos, teriamos tão poucas decepções.. e aquela historia do conto de fadas, prevaleceu novamente. De qualquer forma, eu já conhecia bem, as consequencias de uma decepção, apenas não acreditei, que dessa vez podia ser muito mais intenso. Mas o que eu não queria, era estar em um jogo.. e quando percebi, que poderia acontecer, pulei fora! Eu já sabia o quanto de amor-próprio eu tinha.. não faria tudo por alguem, não por esse alguem. Apesar de todo sentimento que eu guardava, não me orgulhava em nada, lutar por isso. Nunca me fez bem, não me fazia ser melhor, ou admirar o que eu via. Ao contrario, quanto mais, mecanicamente, meus pés voltavam para trás, me amedrontava as imagens que um dia eu quis ter. Diferentemente do começo, eu não precisei de mascara, sabia muito bem como transparecer ser forte, apesar de quer chorar. Obtive sucesso e segui em frente. Hoje, eu estou encontrando o meu futuro, temo que as cicatrizes do meu passado possa interferir no que eu posso dizer com clareza que quero. Receio em não saber demonstrar o quão bem me faz e toda a minha vontade que esse tempo, apenas se prolongue. Eu, que mantinha o pra sempre fora de todas as minhas perspectivas, torço para que ele seja tão constante na minha vida. E, não menos importante, tenho medo, que a decepção me acompanhe, por que dessa vez, nenhum aparelho reanimador de coração, vai poder trazer batimentos fortes, compassados e estáveis a um coração ausente de sorte.
' Não vou querer mais ninguém, agora que sei quem me faz bem .. '